O Banco Itaú anunciou, em meados de setembro último, o fim de três unidades do Espaço Itaú de Cinema, totalizando 17 salas: Salvador, Curitiba e Porto Alegre, alegando um maior investimento no streaming Itaú Play, até então gratuito, mas com possibilidades de tornar-se mais uma fonte de renda para a empresa do setor financeiro.
Uma grande perda para a população brasileira, sobretudo para a baiana, uma vez que o espaço que abriga os únicos cinema e livraria de rua em atividade de Salvador fechará pela segunda vez.
Localizado na Praça Castro Alves, o antigo Cine Glauber Rocha nasceu no início do século XX e já recebeu dois outros nomes: Kursaal Baiano e Guarany. Lá está um painel feito por Carybé, em 1953, e uma das mais belas vistas do pôr do sol da capital baiana. Além, é claro, de ser considerado um dos maiores pontos de encontros da cena cultural da cidade, apesar do banco ter anunciado que a taxa de ocupação dessas unidades seria inferior a 20%, desde 2019. Mesmo período em que a instituição encerrou com um faturamento de mais de R$ 26,5 bilhões de lucro, considerado o maior da história dos bancos no país, e, a partir de agora, com um menor equilíbrio na relação entre ganhos e incentivo à cultura por parte da empresa.
Mesmo alegando que com o Itaú Play a cultura chegará a muito mais cidades brasileiras e, consequentemente, a mais pessoas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lembra que, em 2019, 21,7% da população acima de 10 anos permanecia sem acesso à internet.
Segundo o próprio Banco Itaú, na página do Itaú Cultural, para patrocinar ações culturais “o banco utiliza, na maioria dos casos, o Artigo 18 da Lei Federal de Incentivo à Cultura, que prevê até 100% de abatimento do IR até o limite de 4% do imposto devido”. No entanto, com o encerramento das atividades do Cine Glauber Rocha/ Espaço Itaú de Cinema, a população baiana perde um belo espaço de arte e história, em meio à primeira capital do país.
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