Tropas afegãs: será que facilitaram a derrota?

Por: Rogerio de Jesus Ramos Queiroz

                                                                  foto: reprodução/o autor

Afinal, como em apenas quatro meses de combate os talibãs conquistaram quase todo o Afeganistão, se tinham apenas oitenta mil guerrilheiros, contra trezentos mil homens fortemente armados com armas e equipamentos bélicos de altíssima tecnologia e treinados por mais de dez anos?

O que houve realmente?

Por que as tropas afegãs perderam uma batalha que seria facilmente vencida?

Há algum fator preponderante que explique tamanha e vergonhosa derrota?

Rui Barbosa um dia disse: “Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado”.

Mas será que não houve espírito de luta por parte dos militares afegãos?

Será que desistiram de lutar quando poderiam ter prosseguido na batalha?

Infelizmente é o que parece!

Em um pronunciamento na segunda-feira (16), o presidente americano Joe Biden, afirmou: "A verdade é que a coisa realmente se desenrolou mais rapidamente do que havíamos antecipado. Então, o que aconteceu? Os líderes políticos desistiram e fugiram do país. Os militares se renderam, às vezes, sem tentar lutar.

Os soldados americanos não podem e não devem estar lutando e morrendo numa guerra que as próprias forças afegãs não estão dispostas a travar”.

Lamentável, mas é possível que tenha havido facilitação por parte das tropas afegãs para a vitória dos talibãs.

Segundo fontes, houve fortes indícios de corrupção entre os oficiais afegãos, que receberam dos talibãs ofertas de cargos no novo regime, em troca da rendição.

Especialistas apontam para alguns fatores que explicam o êxito dos talibãs em sua vitoriosa tática de combate, que não foi propriamente o uso da força militar, mas uma pressão psicológica conhecida como "Guerra Psicológica”.

Na medida em que avançavam contra as cidades e províncias, diziam às pessoas que se elas resistissem, quando concluíssem a conquista, o tratamento a eles seria cruel!

Da mesma forma fizeram com os comandantes afegãos, mostrando-lhes seus endereços e nomes completos, bem como de seus soldados e oficiais, fazendo-lhes terríveis ameaças, sobretudo, de extermínio em massa de suas famílias.

Com isso, convenceram-lhes a baixarem as armas e desistirem do contra ataque.

Como simplesmente já não queriam mais lutar, as forças afegãs, mesmo muito bem armadas, treinadas e em maior número, se deixaram derrotar por um adversário muito inferior.

Será que valeu a pena, independente do motivo que os levou à derrota, entregarem seu país a um regime totalitário e tirânico como do Talibã, deixando seu povo à mercê de sua crueldade, fadando-o, sabe-se lá quanto tempo, a uma existência de sofrimento e privação?

O que de fato houve no Afeganistão?

Rogério Ramos é escritor, licenciado em história e em pedagogia, graduando em jornalismo e especialista em história do Brasil.

Caucaia – CE, 21 – 08 – 2021 – 18h15mins.

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