Por: Fabian Bonifácio Costa
Sérgio Porto, uma lenda viva na memória do jornalismo brasileiro. Foi tema do desfile da Acadêmicos de Santa Cruz, em 1989
Sérgio Porto: Arquivo Nacional
Você acadêmico de jornalismo, bem como a sociedade atual, sabe quem foi o célebre jornalista Sérgio Porto, e a sua importância para o jornalismo brasileiro?
Ele nasceu em 1923, em Copacabana, que era o berço da atual elite carioca, que aos poucos ia povoando e construindo as quadras do tradicional e mais famoso bairro do Brasil, em uma época que o Rio ainda era a Capital Federal do país.
Sérgio Porto era o que podemos chamar de homem polivalente, aquele que desenvolve várias atividades, e que por ser tão bom em tudo aquilo que faz, é visto como um grande intelectual. De fato, ele realmente fazia jus ao título de grande intelectual, pois era além de Jornalista, (escritor, radialista, comentarista político e desportivo, teatrólogo, humorista e ex-funcionário do Banco do Brasil).
Ah, antes que eu me esqueça, ele também era um grande compositor. E o seu samba mais famoso foi o "Samba do Crioulo Doido", que ganhou o gosto dos brasileiros após ser gravado pelos "Originais do Samba" e "Os Demônios da Garoa". O samba retrata uma divertida e confusa inversão da história nacional, nos obrigando a repensar a nossa real história, e o quão o nosso sistema político e educacional é falho.
Sérgio era conhecido nacionalmente pelo pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, e dessa forma, escreveu 9 livros. Entre eles, os mais famosos foram "Tia Zulmira e Eu" (1961) e o inesquecível "FEBEAPÁ", iniciais de "Festival de Besteiras Que Assola o País" (1966), que trazia crônicas divertidíssimas sobre o período do regime militar (1964-1985). As crônicas eram publicadas no jornal Última Hora, (1955-1969).
Como Sérgio Porto, ele publicou mais 4 obras, e uma das mais conhecidas "As Cariocas" (1967) ganhou as telas do cinema em 1966, uma adaptação de Fernando de Barros, Walter Hugo Khouri e Roberto Santos. Em 2010, "As Cariocas" ganharam nova adaptação, desta vez nas telas da Rede Globo de Televisão, em forma de Minissérie, idealizada por Daniel Filho.
Capa do livro "FEBEAPÁ", uma das obras mais vendidas do autor. Foto: Arquivo Nacional
TEMA DE SAMBA ENREDO NA MARQUÊS DE SAPUCAÍ
Foto: Símbolo (Brasão Oficial do Grêmio Recreativo Escola de Samba
Acadêmicos de Santa Cruz). Site oficial da escola.
Pois é minha gente, creio que a maior homenagem que alguém pode receber em vida ou em memória, seja o desfile de uma escola de samba com 4 ou 5 mil componentes, cantando e exaltando a sua obra.
E o grande jornalista, sem dúvidas deve ter ficado muito feliz lá do céu, ao ver o seu nome e a sua obra exaltados como tema do desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Santa Cruz, que desfilou no sambódromo da Marquês de Sapucaí, em 1989.
O desfile aconteceu na noite do dia 04 de fevereiro, e a escola foi a 5ª a entrar na avenida. Seu presidente era o senhor José Calagrossi Neto (Juca Calagrossi), e quem assinou o enredo, foi o carnavalesco José Felix.
A Santa Cruz contou a história de Stanislaw Ponte Preta - Sérgio Porto, mostrando um pouco de sua vida pessoal e profissional, estendendo a sua homenagem a todos os jornalistas do Brasil
O samba é leve, cheio de harmonia e com uma bateria nota 10.
Agora, ficamos com uma pergunta no ar: "Se Sérgio Porto fosse vivo nos dias de hoje, como escreveria suas crônicas diante da maior crise sanitária e política que estamos enfrentando em nosso país"?
Quanto ao samba enredo, é uma parceria de Nei, Daguinho, Edinho e Cuca. O intérprete (puxador) é um dos grandes nomes que já passaram pela Marquês de Sapucaí, o cantor Marcos Moran.
Quanto a resposta para pergunta que nos fizemos anteriormente, a resposta seria assim: "O tom de alegria e o deboche bem empregado por Sérgio Porto, nos faria dar boas gargalhadas diante da tragédia sanitária e política que ainda "ASSOLA" este país.
Vamos ver um pequeno trecho do desfile?
Letra do Samba:
Recordando em passarela
A Santa Cruz vem homenagear
Sérgio Porto
E suas obras imortais vamos cantar
É a saudade que ficou em seu lugar
Nasceu em Copacabana
Conheceu lindas mulheres
Todas elas conquistou
E nas lindas noites de orgia
Foi gozador e fez da vida poesia
Tia Zulmira
Stanislaw sempre exaltou
E fez do crioulo doido
Uma obra de valor
Senhor político vou lhe diplomar
Vais receber o "Febeapá"
Você falou, eu vou morrer de rir
Quem deve ao Brasil é o FMI
Quem não tem quiabo
Não oferece caruru
Disse assim o jornalista
No meio do sururu
É alegria, é simpatia, é carnaval
O poeta hoje conta uma história sem final




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