O
júri será sobre um dos maiores debates do clássico
da literatura brasileira que ficou muito conhecido pelo grande mistério
insolucionável: Capitu traiu Bentinho? Esse mistério entorna o romance de
Machado de Assis, desde que foi lançado, em 1899.
“Em
agosto o livro em destaque é O espelho de Machado de Assis, assim, além
da vídeo aula vários outros temas transversais relacionados a obra e autor são
abordados através de lives, entrevista e, debates disponíveis no instagram do
projeto @escurecendoaquestao. Em destaque para o Juri sobre o livro Dom
Casmurro do mesmo autor, e trazendo a tona a grande questão que ficou famosa no
livro “se Bentinho traiu ou não Casmurro”. O Juri ocorrerá no dia 15 de agosto,
às 15h, em parceria com a Casa de Cultura de Marília.” Convida Sarah, coordenadora pedagógica do
projeto.
Sobre
o Projeto
Escurecendo
a Questão é um projeto de difusão de obras literárias produzidas por pessoas
negras. O projeto conta com diferentes ações, presenciais e online que tem como
objetivo apresentar as obras e produzir análises acerca delas. No ano de 2021 o
projeto está trabalhando com 10 livros de escritoras negras e escritores negros
que viveram/vivem em diferentes momentos históricos e regiões do país.
O fator de marginalização de escritores e
escritoras negros e negras no mercado editorial somada à ausência quase que
completa dessas obras nos currículos do ensino básico faz com que esses
conteúdos não façam parte do cotidiano escolar, nem mesmo nas escolas públicas
onde existe uma maioria de estudantes negros e negras. Para atender a essa
demanda nas últimas atualizações do currículo do estado de São Paulo foram
incluídos conteúdos relacionados à literatura produzido por negros e negras,
como na disciplina Projeto de Vida do 1º ano do Ensino Médio que prevê o
trabalho com Slam - batalha de poesia falada com ligação profunda com o
movimento Hip Hop e a literatura marginal.
Desde a criação da Lei 10.639/03, alterada
pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura
afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do
ensino fundamental até o ensino médio, o assunto ainda se distancia de um
modelo adequado. A experiência da aplicação desse currículo nas escolas tem se
mostrado pouco eficaz, já que nos cursos de licenciatura também existe ausência
ou secundarização desses conteúdos, de forma que tanto as professoras quanto os
professores encontram dificuldades ou optaram por não trabalhar com essas
obras. É necessário ressaltar que uma obra literária manifesta aspectos
culturais, sociais e políticos de determinada comunidade ou sociedade. Ao
voltar o olhar para as escolas públicas, sobretudo para as escolas públicas
situadas em regiões periféricas da cidade, retirar essas obras do cotidiano
escolar implica em apagar desse cotidiano uma expressão cultural de aspectos
relevantes do cotidiano do indivíduo, seja através do conteúdo das histórias,
da linguagem, das características físicas e emocionais dos personagens ou mesmo
através do cenário que ambienta a história. A ausência destas obras no
currículo e cotidiano escolar cria um vazio entre estudantes e a literatura,
bem como, estudantes e escolas, já que os mesmos não se reconhecem no conteúdo
ensinado. No cotidiano escolar, os estudantes improvisam batalhas de rima ao
mesmo tempo que dizem não gostar de literatura. A ausência de obras literárias
produzidas por negros e negras causa um distanciamento de parte dos estudantes
não apenas do que é considerado literatura clássica, mas também do ato de ler e
escrever. O projeto quer e vai aproximar estudantes da literatura. O acesso a
uma literatura produzida por pessoas negras gera visibilidade de um setor
social historicamente marginalizado. A identificação com os personagens geram
representatividade para uma população que não se vê representada na literatura,
filmes, televisão, revistas entre outros meios de comunicação. Esses são
fatores importantes para a criação de uma identidade positiva da pessoa negra
enquanto indivíduo e da população negra enquanto coletivo.
Uma
das principais ações do projeto é o Escurecendo o Vestibular que consiste em uma série de vídeo aulas com
conteúdo direcionado para provas de vestibular.
A
série é composta por quatro aulas sobre obras literárias de autores e autoras
negros e negras que estão nas listas dos principais vestibulares do país, sendo
elas: Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus); Olhos D’ Água (Conceição
Evaristo); Sobrevivendo no Inferno (Racionais); e O Espelho (Machado de Assis).
As videoaulas estão sendo distribuídas gratuitamente através do link https://luacheiaarteeducacao.com.br/videos/.
A ação ainda contam com um material de aprofundamento das obras e questões de
vestibular referente as 4 obras que será disponibilizado gratuitamente para
escolas, cursinhos e coletivos que trabalhe com educação.
Contatos:
@escurecendoaquestao
Escurecendo a Questão
+55 14 99853-7847


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