Diante da suspensão das aulas presenciais em decorrência da pandemia provocada pelo COVID-19, nem todos os estudantes brasileiros possuem condições dignas de acesso ao ensino remoto, e quando falamos em ensino básico, que é a base de formação formação de qualquer cidadão, a situação que não era muito boa sem a pandemia, apenas se agravou com a sua chegada, promovendo assim, um verdadeiro êxodo de estudantes das salas de aula. E a desmotivação desses pequenos estudantes, se dá pela falta de materiais básicos como um bom tablet, notebook ou celular, para que possam fazer as suas atividades.
Conversei com a pedagoga, professora e graduanda em psicopedagogia, Clara Rianelli, sobre essa questão que tem afetado alunos da rede pública e particular de ensino, seja pela falta total desses materiais ou por questões ligadas a péssima qualidade da internet, ou mesmo por um ambiente hostil dentro de casa. Acredite, segundo a pedagoga, muitas crianças tiveram o psicológico afetado por brigas e e pela falta de paciência dos próprios pais em lhes ensinar as tarefas mais básicas.
Gabriel Maia: Clara, você que convive diariamente com a realidade de crianças através do ensino básico, sente na pele a tristeza de ver tantas crianças desassistidas pelo poder público ou desamparadas dentro do próprio lar?
Clara Rianelli: Sim, totalmente. Enquanto professora, pedagoga e ser humano, observo de perto a angústia de muitos colegas professores em ver a triste realidade do ensino básico em nosso país diante da crise sanitária que estamos enfrentando. É uma realidade que fere a todos nós, pois estávamos acostumados a lidar diariamente com as crianças, ensinando-as e também participando de suas realidades pessoais. Enxergamos coisas que muitas vezes as próprias mães por desleixo ou falta de experiência não conseguem ver em seus filhos. E diante do afastamento que foi e ainda é necessário, nós acabamos por perder essa conexão direta com a realidade de cada criança.
E ainda existe crianças que reclamam que as próprias mães ou pais não os ensinam as atividades mais básicas, como por exemplo, contas de somar e subtrair. E a nossa preocupação quanto a essa infeliz situação, é que isso não acontece apenas em ambiente humilde, tem muitos lares privilegiados que os pais fazem a mesma coisa. E outro ponto fundamental quanto a essa questão, é que temos que ver também o lado dos professores, que quanto mais distantes dos grandes centros urbanos, encontram dificuldades extremas para poder ministrar aulas. Ou seja Gabriel, estamos falando de uma realidade que afeta professores e alunos, pois não adianta o professor ter um ótimo aparelho para se conectar com seus alunos e a internet não funcionar.


0 Comentários