O último povoado – Artigos/Série – Potengi 01

Por: Luciane Silva Telles

                                                                    foto: reprodução/a autora


Potengi é o derradeiro ajuntamento humano às margens do Rio São Francisco antes de seu encontro com o mar. Esta circunstância geográfica identifica a região pelas atividades pesqueiras, coleta de cocos e frutas nativas; e a atividade rural e pastoril. 

Atualmente, o povoado do Potengi ainda guarda rituais e celebrações do sincretismo intercultural de negros, índios e brancos. Este caleidoscópio de saberes e fazeres são o foco da imagem e dos depoimentos e lembranças, no resgate diário da história do povoado rebuscando uma identidade desagregada em um crescimento desordenado. 

A memória da grande fazenda em ruína, o povoado que se criou com a decadência, os que trabalharam nela por uma vida, os descendentes desses deserdados, a suas crenças e jogos, é o cenário desse pequeno vilarejo as margens do Rio São Francisco a esquerda do rio. 

Desde o Brasil Colônia o sítio é conhecido da navegação marítima e fluvial, atividade pesqueira, igualmente de transporte de bens e hoje anda navegável para pequenas embarcações. 

O Povoado do Potengi, localizado no município de Piaçabuçu sul de Alagoas retrata a realidade inserida em muitas comunidades ribeirinhas por todo Brasil. Aqui a vida tem seu tempo próprio e as circunstâncias de sua sobrevivência passa pura e simplesmente pelo povo que o habita. 

Sobreviver já não é mais da fartura natural, a água é escassa em frente a uns dois maiores rios do país, e em novos tempo aumentou e muito a salubridade tornando o rio impotável para o consumo mas  se percebe ares de séculos passados no comportamento de mulheres à beira rio com seus pratos e roupas agora coloridas estendidas em varais expostos para rua como bandeirolas em festa de São João, e homens acinturados com seus facões, passam pelo povoado na lida em intensas plantações de cocos e nas embarcações espalhadas por toda a orla e confecção de redes de pescar.

Caminhando pelo pitoresco lugar percebe-se o quanto é precário o saneamento básico, onde bicas de águas saem dos casarios colados um nos outros num costume arquitetônico que se mantem até hoje, onde casas e sobrados se colocam em paredes e janelas baixas, com fachadas de grades nas entradas fechadas a sete chaves num rito claro que o povoado já não é mais como antigamente e as inseguranças urbanas, atinge a pequeníssima região, se defendo do imprevisto e dos animas, cavalos, porcos,cabritos e ovelhas, entre cachorros e gatos, galinhas e galos que circulam por todo lugar. 

Dona Lurdes moradora há 55 anos no povoado, trabalhou na fazenda de arroz, ainda menina lembra sem muita nostalgia, em tempos modernos a vida mesmo com tantas mudanças, no cotidiano, em função do desiquilíbrio ambiental e natural, a percebe mais fácil... no acesso à informação, saúde, transporte entre outras facilidades da vida moderna, tal como internet. Mesmo percebendo a precariedade de alguns diretos essenciais; ela responde,” na vida a gente se acostuma com tudo e que Deus nos abençoe”.

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