Foto: à esquerda, Dona Noá. Leila, Jacob, filhos de
Dona Noar, nascidos na Síria
e o neto filho de Leila, nascido no Brasil
Uma voz doce, quase inaudível e
um sotaque característico dos imigrantes do oriente médio. Ao lado de um filho
quarentão, mas que trata como se fosse um menino, todos os dias, de segunda a
sexta-feira, no mesmo lugar, com o mesmo ingrediente, e, do lado de fora da Câmara
dos Deputados, em Brasília, está Dona Noá. Entre um quibe e outro a frigir na fritadeira
de óleo quente, sempre tem uma boa história para contar. No local apelidado
pelos jornalistas como Anexo V, para distinguir um espaço a mais dos quatro
anexos do Câmara, estão enfileirados os’’ food trucks ‘’- que vão desde os
saborosos quibes da dona Noá até um churrasco argentino.
Durante pelo menos uma década, a
imigrante da estraçalhada Síria que enfrenta uma sangrenta guerra civil, ganha
a a vida no Brasil sempre no ramo da alimentação. Já passou pelo Maranhão e
teve a família espalhada pelos continentes, depois de deixar o pais de origem para
fugir a guerra e das dificuldades econômicas. Dona Noá, é uma personagem
singular. Trabalha sempre com as vestimentas da mulher árabe, cabelos
caprichosamente cobertos e uma discrição obrigatória. Junto com os filhos é
conhecida no Anexo v, onde todos os dias disputa a preferência de estômagos de
deputados, assessores, seguranças e, claro, muitos jornalistas que atuam nos
corredores do Congresso Nacional.
Os quibes da Dona Noá obedecem a receita
tradicional como carne moída, hortelã e temperos de origem sírios, agregados
com canela. O sabor, inconfundível é a principal arma da concorrida praça de
alimentação ao ar livre. Para uma refeição rápida e de rua, são bastantes apetitosos
e com um custo –benefício que atende o bolso de quem tem pouco dinheiro e principalmente,
pouco tempo para uma refeição na hora do almoço ou no fim do expediente.


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