Fabian Bonifácio Costa (Gabriel Maia)
Caso Jeferson Anderson Feijó Cruz
EXCLUSIVO: Gabriel Maia conversa com os pais do rapaz, covardemente agredido na noite do dia 07 de dezembro de 2018, na cidade de Moreno/Pernambuco.
Após 3 anos de muita luta, os pais de Jeferson conversaram com Gabriel Maia, e contaram os dias de muita luta e as angústias que cercam o caso de seu filho. Hoje, o rapaz vive acamado com sequelas graves, e a pior delas, foi a perda da fala. Porém, a dificuldade em se comunicar, foi vencida quando após muitas sessões de fisioterapia e acompanhamento com fonoaudiólogo, o mesmo consegue expressar seus sentimentos e desejos através de códigos como abrir e fechar os olhos. "Piscar o olho uma vez, quer dizer sim, e piscar o olho duas vezes quer dizer não", explica Etiene Melo, mãe de Jeferson.
Recentemente, a polícia prendeu o principal acusado de ter agredido violentamente o rapaz, ao ponto de deixá-lo desacordado e afogando-se no próprio sangue. O nome do agressor é Robson da Silva Alexandre, vulgo "Ju". O pai de Jeferson, Marcos Cicero, revela que sentiu-se aliviado ao saber da prisão do agressor de seu filho, e que a partir de agora, a justiça começa a ser feita.
Robson da Silva Alexandre, vulgo "Ju". Imagem divulgada pela polícia civil de Pernambuco.
Gabriel Maia: O que de fato mudou na condução do caso de seu filho, a partir da prisão do acusado? Ele continua preso?
Marcos Cicero: "Sim, ele continua preso. Já houve a oitiva das testemunhas em favor do meu filho, que presenciaram toda a cena, e foi marcado a primeira audiência para ouvir as testemunhas em favor do acusado (se é que ele tem), só que devido a pandemia, foi remarcada para o dia 10 de junho. Estou aliviado por saber que ele está em um lugar que não deveria sair nunca mais, porque quem fez uma vez, fará outras. O que ele fez com meu filho, poderia fazer com qualquer outro rapaz e mesmo ele estando preso, é muito difícil para nós porque o nosso menino está preso também, só que em cima de uma cama e sem poder sequer usar a sua voz.
Gabriel Maia: Como era o Jeferson antes dessa agressão? Como ele era dentro de casa?
Etiene Melo: "Nossa, meu filho era muito alegre, porém na dele. Não gostava de confusão. O negócio dele era brincar, tomar uma cervejinha, se divertir com os amigos igual a qualquer jovem da idade dele. Dentro de casa era um amor de filho, fazia de tudo um pouco, era muito ligado a nós dois. Era um menino muito calmo. Sempre foi muito tranquilo e amoroso, essa é a melhor definição que podemos dar sobre nosso filho. Marcos Cicero: Nós fomos pegos de surpresa quando isso tudo aconteceu com ele, pois Jeferson era muito querido, nunca tivemos histórico de brigas ou confusões. Meu filho era um ótimo aluno. Nunca fomos chamados ao colégio por nenhuma queixa contra ele, ele era e continua sendo um grande orgulho para a gente. Estávamos planejando começar a custear uma faculdade de fotografia para ele, pois ele amava fotografar, vivia com uma câmera tirando fotos e elas ficavam lindas, e infelizmente esse sonho foi interrompido".
Gabriel Maia: O Brasil é um dos países que mais se comete crimes contra homossexuais, após essa terrível tragédia que acometeu o Jeferson e a sua família, vocês tiveram o apoio durante a condução das investigações? Vocês também tiveram o apoio dos grupos em defesa dos direitos LGBTQIA+? Houve uma solidariedade por parte da sociedade?
Marcos Cicero: "Olha só, não sei se isso é verdade ou não, mas, da parte da polícia, a princípio, ficamos tristes ao saber que na noite do crime, um policial que estava no posto de plantão da PM em nossa cidade, disse a um dos amigos de Jeferson 'Deixa esse viadinho morrer lá', isso nos feriu profundamente, oro a Deus que se esse PM foi pai, isso nunca venha a ocorrer com seus filhos, nem em seus piores sonhos, mas, isso fere demais a pessoas de bem, que ao procurar a ajuda da PM, não esperam esse tipo de conduta.
Por outro lado temos que agradecer imensamente ao procurador de justiça da nossa comarca, o sr. Rousseau Vieira de Araújo, que através do Ministério Público, deu todo apoio e assistência a nossa família. Sem ele, estaríamos perdidos. Foi ele quem correu atrás das testemunhas, e que conseguiu descobrir o agressor de nosso filho, através de uma investigação impecável. Quanto aos grupos LGBTQIA+, e a sociedade em geral, quero expressar o meu mais sincero e profundo carinho. Ajudaram e ainda ajudam bastante ao nosso filho. Uma das pessoas fundamentais na rede de solidariedade instalada em prol de nosso menino, foi o Robério Lima, que mesmo morando em São Paulo, se sensibilizou com a causa de nosso filho e criou uma página no Facebook chamada 'Lute como ele', e através dessa página, arrecadamos mais de 100 mil reais para custear as despesas com o Jeferson. Etiene Melo: São muitos gastos, com alimentos e produtos de higiene, sem contar nas contas de luz que são altas, graças ao ar condicionado que vive ligado 24 horas no quarto dele. Pois, montamos com esse dinheiro uma UTI em casa, e ainda com esse dinheiro, conseguimos contratar serviços de fisioterapia e um ajudante para me auxiliar com os cuidados diários de Jeferson".
Resumo do caso:
Na noite do dia 7 de dezembro de 2018, Jeferson Anderson Feijó Cruz, estava com amigos em uma praça da cidade de Moreno/Pernambuco, comemorando a conclusão do ensino médio. O jovem de 22 anos, que sonhava em ser fotógrafo profissional, avançava madrugada a dentro rindo e cantando com os amigos quando de repente um homem se aproximou de Jeferson e pediu bebida ao rapaz, esse homem era o vulgo "JU". Gentilmente, Jeferson deu um pouco de sua cerveja ao agressor, que tentou beijá-lo e foi empurrado por Jeferson. Ao sair para comprar mais cerveja, os amigos estranharam o fato de Jeferson ter sumido da praça e estar demorando para retornar. Decidiram então ir procurá-lo quando de repente, avistaram o rapaz caído em um canto afastado da praça, completamente sujo de sangue e afogando-se no próprio sangue. As agressões se concentraram na cabeça do rapaz, o que causou sequelas graves, como a perda da fala e a coordenação motora. Vale destacar que um dos amigos de Jeferson, viu quando o agressor (vulgo "JU") evadia-se do local, e que o mesmo levou os pertences da vítima. O fato que chama atenção, é que Jeferson estava muito embriagado, e "JU" tentou beijá-lo momentos antes, o que foi testemunhado por muita gente.
Por fim, destacamos que a agressão covarde sofrida por Jeferson, pode estar acontecendo neste exato momento em diversos lugares de nosso país. Fui atrás do referido caso, para não deixar que o mesmo caia no esquecimento de nossas autoridades e da sociedade brasileira, a fins que de casos como este, não fiquem impunes. É preciso dizer não a homofobia. Todos nós temos direitos, e o fato de não gostar ou não concordar com a homossexualidade, não dá o direito de ninguém agredir ou matar a um homossexual.
Gabriel Maia e os pais de Jeferson: Etiene Melo e Marcos Cicero, durante entrevista para este Blog.


0 Comentários