Monumentos históricos de escravagistas em Salvador

Taiane Carvalho dos Santos

 Após manifestantes britânicos derrubarem uma estátua de  um traficante de escravos no dia 7 de junho deste ano, surgiu, em várias regiões do mundo, o debate sobre por que ainda se mantem de pé diversas estátuas e outras formas de homenagens a figuras do tipo. Em Salvador não foi diferente.

A capital baiana possui hoje um grande número de monumentos do tipo. Um projeto intitulado Salvador Escravista, criado por pesquisadores baianos da história da África mapeou pela cidade diversos monumentos históricos que homenageiam figuras emblemáticas da história e contaram sobre seus significados em um site de mesmo nome.

Um dos exemplos descritos no site é o Elevador Lacerda, um dos principais pontos turísticos da cidade. Segundo o mesmo, o elevador foi idealizado e construído entre os anos de 1869 e 1873 por Antônio de Lacerda, filho de um negociante português chamado Antônio Francisco de Lacerda que fez riqueza na Bahia, entre outras coisas, com o tráfico negreiro.


https://www.salvadorescravista.com/homenagens-controversas/elevador-lacerda

Antônio Francisco de Lacerda financiou diversos negócios no estado, entre eles a empresa Transportes Urbanos que financiou a construção do Elevador Lacerda.

O site também apresenta outros exemplos como: o Barão de Cotegipe e Teodósio Rodrigues de Farias, ambos proprietários de escravos.

O site afirma também que: "Salvador foi o segundo maior porto de desembarque de africanos nas Américas durante a vigência do comércio transatlântico de pessoas escravizadas. Navios negreiros da Bahia carregaram cerca de um milhão, trezentos e cinquenta mil mulheres, homens e crianças que, aprisionados e escravizados, experimentaram a traumática travessia do Oceano Atlântico, segundo estimativas recentes. Algo em torno de 150 mil pereceram durante a travessia. No final, aproximadamente um milhão e duzentas mil pessoas chegaram com vida à Bahia."

O que aponta para a importância de a população soteropolitana conhecer a sua própria história e questionar o enaltecimento dessas referências.

Mas o site também apresenta referências positivas chamadas de:  Homenagens Reparadoras como, a rua Revolução dos Malês situada no bairro da Liberdade que faz alusão aquela considerada a mais famosa revolta escrava da cidade.

O projeto Salvador Escravista, através de seu site, mapeia esses monumentos pela cidade afora contando sua história, apresentando outras possibilidades e fazendo o leitor refletir sobre a historiografia da cidade.

Disponível em: <https://www.salvadorescravista.com> (Links para um site externo.) Acesso em: <29 setembro 2020> 00:13



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