Entrevista com o Bombeiro Militar Cabo Matias.

 

Antonio de Paula Oliveira


O Corpo de Bombeiros é a instituição que, durante muitos anos, possui o maior índice de confiabilidade. Segundo o Ibope, sua credibilidade é irrestrita e irretocável, sendo ele admirado pelos atos de bravura e engajamento na luta pela vida.

 


Instituído pela Corte durante a regência de Dom Pedro II, por meio do Decreto n.° 2.587 de 30 de abril de 1860, o Corpo de Bombeiros tinha somente a finalidade de apagar incêndios, cujo serviço ficava a cargo de funcionários públicos, que se juntavam aos populares, com pouquíssimo material prático e técnico. Usavam somente baldes de lonas e escadas, que eram transportados por veículos de tração animal.

 

Em 1797, a Marinha ficou responsável pelo serviço de extinção de incêndio, pois detinha um bom arsenal: bombas, mangueiras, além de  treinamentos para combates em embarcações de madeiras e terra, o que a tornava mais eficaz ao combate de qualquer tipo de incêndio. Isso foi um marco no âmbito nacional da defesa pública.

 

Durante décadas, o Corpo de Bombeiros consiste em uma atividade da Defesa Civil e foi se transformando em uma instituição altamente voltada para todos os tipos de salvamentos. Hoje, os desafios desses guerreiros vão muito além de apagar incêndios. Há um trabalho de grande atendimento aos brasileiros. De um simples resgate de animais silvestres a desengasgamento de crianças, salvamento em afogamentos, atuação em catástrofes, alagamentos, calamidades públicas, desmoronamentos, acidentes com carros, nos quais requer resgate e primeiros atendimentos com complexidade, e o combate incansável aos incêndios, os quais atormentam durante o período seco em todo o território nacional. Há casos em que eles permanecem no front do combate até 24 horas, carregando equipamentos, no limite da exaustão.

 

Em dezembro de 1881, foi confirmado o Estatuto Militar do Corpo de Bombeiros, o qual contém regras, deveres e direitos estabelecidos. Assim, as Federações passaram a administrar seu contingente. A camaradagem, o respeito mútuo e a disciplina à hierarquia são peculiares a todos os membros da corporação.

 

Em Goiás, foi outorgado, em 17 de dezembro de 1958, o Decreto n.° 41.546/1957 à primeira Corporação do Corpo de Bombeiros, que contava com um número reduzido de bombeiros que havia feito treinamentos no Estado de Minas Gerais, um autobomba tanque ABT e uma viatura Pirsch auto-P6, ambos doados pelo governador do Rio de Janeiro Carlos Lacerda.

 

No ano de 1987, o Brasil e o mundo inteiro estavam com as atenções voltadas para Goiânia, devido ao grande desastre radioativo com o Césio 137.  O Corpo de Bombeiros teve um papel importantíssimo naquele triste episódio. Embora com reduzidos recursos técnicos, foram destemidos diante do perigo radioativo para o salvamento de milhares de vidas.

 

A hierarquia no Corpo de Bombeiros está alicerçada na confiança, na lealdade e no respeito a todos da corporação. Além disso, é regida também com disciplina, ética, responsabilidade, coragem, resistência e aprimoramento técnico-profissional.

 

Para ser um bombeiro militar, é necessário gostar de gente, de servir com prontidão para salvar vidas, pois sempre terá alguém dependendo do socorro de um bombeiro militar. Além disso, é preciso conhecer um pouco de Química, Física, saber lidar com a água e o fogo para obter bons resultados e manter o Corpo de Bombeiros como a instituição de grande credibilidade da nação brasileira.

 

Fui conhecer um pouco a rotina de um bombeiro militar. Procurei Danilo Matias, o Cabo Matias, que me recebeu gentilmente em sua residência. Ele tem 34 anos, formação acadêmica, é casado, possui dois filhinhos, um de 3 anos; e o outro, de 5 meses e mora em uma casa confortável. Pratica paraquedismo, faz mountain bike e joga futevôlei, mas não abre mão de ficar com a família em casa ou de irem para a propriedade rural em Bela Vista de Goiás.

 

Matias me falou sobre o trabalho aplicado durante os incêndios, a exaustão, a fadiga, mas também sobre as operações planejadas e bem sucedidas em prol da vida.

 

_ Matias, quando você decidiu que seria ser um bombeiro militar?

_ Quando terminei a faculdade de Fisioterapia, descobri que não queria ficar nos consultórios, desejava ir para o front, sentir adrenalina, ter a intensidade do trabalho de salvamento. Fiz o concurso e passei. Não me vejo em outra profissão.

 

_ O que lhe vislumbrou essa carreira, uma vez que o bombeiro atua muito em situação de risco?

_ A satisfação de salvar vidas.

 

_ Quando você se vê diante de um iminente perigo, o que o faz seguir em frente com seu trabalho? 

_ Quando entramos para a Corporação, tornamo-nos muito disciplinados. Penso que não posso ficar omisso diante da necessidade de ajudar alguém. Ademais, os treinamentos, as técnicas e os equipamentos reduzem os riscos. Mas sempre haverá perigo.

 

_ Como se sente ao término de uma operação bem sucedida?

_ Realizado, feliz por desempenhar o trabalho que deveria fazer.

 

_ Para você, o que é mais gratificante ao fim de um plantão?

_ É saber que efetuei um trabalho importante para a sociedade e estou voltando para a minha família.

 

_ Qual o maior desafio da profissão?

_ Encontrar o equilíbrio emocional, seja em uma operação de alto risco, seja em dar uma notícia de óbito às famílias, principalmente quando se trata de jovens vitimados em acidentes.

 

_ Em uma operação de resgate ou algum incêndio de grande proporção, em que você pensa no momento que está atuando?

_ Sou muito focado. Preciso primar sempre pela vida, mas é impossível não pensar na família, nos filhos.

 

_ Qual a importância da família no que diz respeito à profissão?

_ A família me fortalece, revigora minhas forças, me motiva e me faz acreditar que toda luta no sentido de salvamento é feita com muito amor à minha profissão.

_ Matias, você é adepto aos esportes radicais como paraquedismo, mountain bike e outros esportes. Isso lhe trouxe benefícios para a sua carreira?

_ Os esportes nos dão uma boa condição física, o que é muito exigido na profissão de bombeiro, eleva a saúde mental, fortalece o coração. Posso lhe afirmar que foram os esportes que pratico que me credenciaram para minha atuação no Corpo de Bombeiros. Também fiz vários cursos de especialização: salvamento aquático, pilotagem operacional de embarcações, condução de viatura de emergência, manipulação de produtos perigosos, dentre outros.

 




0 Comentários