Flávia Rabelo
Uma voz doce, quase inaudível e um sotaque característico dos imigrantes do oriente médio. Ao lado de um filho quarentão, mas que o trata como se fosse um menino, todos os dias, de segunda a sexta-feira, no mesmo lugar, com o mesmo ingrediente, e , do lado de fora da Câmara dos Deputados, em Brasília, está Dona Noá. Entre um quibe e outro a frigir na
fritadeira de óleo quente, sempre tem uma boa história para contar. No local apelidado pelos
jornalistas como Anexo V, para distinguir um espaço a mais dos quatro anexos do Câmara,
estão enfileirados os "food trucks ‘’- que vão desde os saborosos quibes da dona Noá até um
churrasco argentino.
Durante pelo menos duas décadas, a imigrante da estraçalhada Síria que enfrenta uma
sangrenta guerra civil, ganha à vida no Brasil sempre no ramo da alimentação. Já passou
pelo Maranhão e teve a família espalhada pelos continentes, depois de deixar o país de origem para fugir da guerra e das dificuldades econômicas .
Dona Noá, é uma personagem singular .Trabalha sempre com as vestimentas da mulher árabe, cabelos caprichosamente cobertos e uma discrição obrigatória. Junto com os filhos é conhecida no Anexo v, onde todos os dias disputa a preferência de estômagos de deputados, assessores, seguranças e, claro , muitos jornalistas que atuam nos corredores do Congresso Nacional.
Os quibes da Dona Noá obedecem a receita tradicional como carne moída, hortelã e temperos sírios, agregados com canela . O sabor, inconfundível é a principal arma da
concorrida praça de alimentação ao ar livre. Para uma refeição rápida e de rua, são bastante
apetitosos e com um custo –benefício que atende o bolso de quem tem pouco dinheiro e
principalmente, pouco tempo para uma refeição na hora do almoço ou fim de expediente.
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