Elma Rocha Martins
A doença que parou o mundo. Com o nome de Covid-19, alusivos respectivamente ao vírus e ano de origem, o mal apresenta proporções sem precedentes e mostra força para interferir na economia, comunicação, educação, saúde e vida condicionadas a mudanças em culturas e hábitos em todo o planeta.
Especialmente no início deste ano de 2020, o “Novo Coronavírus” que surgiu no fim de 2019 e até agora não se sabe de fato como originou, se tornou o maior pesadelo da terra. A princípio, com sintomas que facilmente eram confundidos com gripe ou uma doença pulmonar qualquer, teve sua primeira divulgação através de um caso em Wuhan na China e logo foi notificado em vários países se mostrando muito letal e assustando devido a pouca informação sobre sua real composição e ação.
É preciso ressaltar que muitos vírus já surgiram e assolaram com epidêmicas como tuberculose, Sars, H1N1, Ebola entre outros e foram necessários cuidados e ações rápidas para conte-los. No entanto, nenhum havia derrubado as barreiras culturais do globo terrestre ao mesmo tempo; impedido ou dificultado de modo geral a prática do ensino em todos os níveis educacional; ditado tendências e o uso de assessório único, a máscara; imposto medidas de higienização como fator de sobrevivência; ignorado origem populacional, classes sociais ou qualquer outro fator diferencial em todos os continentes. Por isso, queremos nos deter mais nos aspectos econômicos.
Aqui em Araguaína (183 mil habitantes), segunda maior cidade do Tocantins, mesmo tendo sido uma das primeiras do país a decretar o uso obrigatório de máscara em lugares público, com multa para desobediência, é o epicentro da pandemia no Estado que totaliza 47.558 infectados pelo novo coronavírus e 635 óbitos, segundo o ultimo boletim emitido pela Secretaria Estadual da Saúde. Do total, atuais 10.612 diagnósticos positivos são araguainense, com 138 mortes. Quase sempre registrando maior incidência de casos que a capital, Palmas. Isso certamente acontece por vários fatores, mas tem como principal sua localização e potencial, pois é referência em comércio, educação e saúde. Mas o município que já teria investido 16,12 milhões no combate a epidemia está como tantos outros em termos de medidas, lockdown e enfrentando desemprego.
E para ser entendida a gravidade do problema, a mídia local não foge a regra, divulga os efeitos maléficos do contágio até a exaustão, enfatizando a prioridade que deve ter acima de todas as outras coisas. Ela também destacou o que teria sido dito por alguns lideres mundial e sido repetido por lideranças nacional, de que a pandemia teria escancarado desigualdade social no planeta e lógico em nosso país. Embora fique o questionamento, será que isso de fato ocorreu? Ou será que por causa da pandemia, as pessoas foram obrigadas a parar e por não estarem correndo em demasia em função dos seus próprios objetivos, acabaram enxergando o obvio e estando mais sensíveis as necessidades do próximo?
Aliás, de grosso modo, possivelmente no mundo todo nunca houve tanta gente de classe média e alta realizando serviços domésticos como tem ocorrido. Temendo a contaminação por parte de subalternos, os ricos tiveram que cuidar da higienização da própria moradia. Fato esse historicamente inédito para a humanidade.
Por outro lado, o momento limitou ainda mais o ensino para classe baixa e em alguns casos impossibilitou mesmo, pois muitas famílias de baixa renda não possuem computador, internet ou informação tecnológica o suficiente para usar o celular para assistir aulas online. Por falar nele, o aparelho eletrônico tem sido o principal meio de comunicação diante da necessidade de manter distancia física.
Outro ponto importante é o fato das famílias terem que conviverem confinadas, basicamente como em um “reality show” o que certamente os membros delas passam a se conhecerem bem, aflorando o que há de melhor e pior, em cada um. O que para alguns tem representado a consolidação de laços familiares e solidificação de relacionamentos afetivos, para outros é motivo para término. Por isso além da queda de oficialização dos casamentos por não poder fazer festas e agrupamentos em geral, onde encontraria uma nova relação amorosa, ainda foram registrados crescentes números de separação conjugal. Segundo um levantamento do Google a pesquisa online por divórcio em meio ao isolamento social, teria crescido em 10 mil %. Então, no que se refere à relação conjugal parece que houve mais divisão do que soma.
De forma ampla, as atividades econômicas sofreram contração mesmo em países desenvolvidos, desencadeando desemprego, especialmente com a quebra de micro e pequenas empresas. Mas dependendo do setor de atuação, houve falências até de empresas maiores. Em meio ao caos, o único produto que gerou lucro extremo foi álcool em gel e a máscara de pano, já citada, que pode ser produzida até manualmente.
Alguns setores registraram crescimento na procura, é o caso de “Seguro de Vida”, que de acordo com levantamento da empresa “Minuto Seguros”, em março deste ano, cerca de um mês depois do primeiro caso nacional de Covid-19, contabilizou alta de 136% nas vendas. Já o aumento nos “Planos de Saúde” foi referente ao preço dos contratos, que teria subido 20%, mesmo estando tramitando em estância federal uma Medida da Agencia Nacional de Saúde Suplementar que suspende o reajuste de todos os planos por 120 dias.
Ênfase também deve ser dada a seguimentos ligados a produtos e serviços essenciais. Inclusive o consumidor em meio à crise da pandemia precisa pagar mais, por necessidades básicas. Já algumas outras áreas estão conseguindo sobreviver apenas por meio de alterações e convergências no que faz, adequando a nova realidade. Em consequência, as vendas pela internet cresceram demasiadamente, para se ter ideia, em abril segundo dados da ACI Worldwide empresa do sistema de pagamento eletrônico, o varejo online saltou em 209% em comparação ao mesmo mês ano passado. Isso por sua vez, fortaleceu o sistema de correios brasileiro que não vinha bem. Além disso, novos nichos de mercado surgiram sob medida, para situações atípicas.
Em se tratando de questão econômica, quem sempre lucra inclusive em períodos de crise são os bancos, quando fazem mais empréstimos e aumentam a margem de lucro com juros altos. E pelo que é possível observar no país, os banqueiros mantém a mesma postura de pouco investimento em estrutura, segurança e conforto aos clientes. Prova disso é que não há noticia de nenhuma grande mudança no que foi citado e as filas de distanciamento são demarcadas nas calçadas com os usuários expostos ao sol enquanto esperam.
E em meio a toda a situação apresentada está a população, orientada a ficar em casa e precisando encontrar meios de obter recursos e sobreviver a tudo, visto que a palavra quarentena é só uma expressão, pois o primeiro caso registrado aqui no Brasil acaba de completar seis meses, enquanto a nação está em segundo lugar em número de infectados (com 3,7 milhões) e óbitos ligados a Covid-19, que são até agora 116.964 mil. E quando se amplia isso, para proporção mundial, chega-se a quase 24 milhões de pessoas que teriam contraído o Novo Coronavírus e cerca de 820 mil mortes associadas, conforme o site “Oficina da Net” nesta quarta-feira dia 26 de agosto.
Enquanto isso, algumas vacinas estão em estudo nos grandes centros do planeta, mas dependem de comprovação de eficácia e investimentos financeiros, pois precisam ser confeccionadas em “larguíssima” escala. Quanto aos remédios mais usados em tratamento, inclusive recomentados pelo governo brasileiro, não têm comprovação oficial e nem reconhecimento pela Organização Mundial da Saúde.
E mais, diante do quadro aguardam respostas as seguintes perguntas: Por que misteriosamente foi priorizado o combate em vez da descoberta da origem viral, como se uma ação interferisse ou anulasse a outra? Quando na verdade poderia era ajudar a encontrar remédios e cura; Por que há registros de contágio em países europeu e americano antes do primeiro caso chinês? E não só isso: Foi acidente laboratorial ou há interesses envolvidos?
Portanto, mesmo sendo contraditório dizer, no momento a única certeza que temos é a incerteza e a preocupação com cuidados e com o futuro, pois ninguém sabe com precisão quando e como o mundo vai “normalizar”.

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